| ABIKU
Abiku pode raspar alguém?
Pergunta abiku pode raspar alguém?pode iniciar alguém
Resposta:
claro que sim, e também se pode raspar o abiku, para isso tem que se saber a qualidade de abiku e sendo de uma qualidade de abiku que raspa, será quase sempre a xango ou ibeji, ou seja levará obi para se iniciar na vida. cito alguns abikus
ála oke - que nasce dentro de uma bolsa(oxalá)feitura p/ oxala
erinlè -cordão umbilical enrolado nos pés (oxossi)
talabi - menina que nasce c/ a placenta
salako - menino que nasce com a placenta
ìge - nasce pelos pés
oni - que chora muito
dada - muito cabeludo
e ai vai os abikus são espíritos que no orun se predefinem e fazem acordo que em determinado momento da vida (um caso, um fato) eles devem retornar par se encontrarem e quando a pessoa e feita no orixá esse acordo e quebrado , quase sempre de xangô e ibeji.
onibodé - que faz a passagem dos abikus
ayorubo - guardião da porta entre os mundos
p/ povo igbo - ogbanje (abiku)
p/ povo haussas - haussas - dannabi
p/ povo fanti assanti – kossmah
Ps.
o que nasce cabeludo (tufo de cabelo encaracolados)
dada = feitura para xangô
abikú não e um estado de morte e sim um espiritualidade, mas não descordo com o luiz carlos quando ele conota que o fica quando o outro morre também é abiku,mas neste caso é um tipo de abikunidade. Com relação os tipos de abikunidades. Para mim os espíritos abikus têm ligação direta com a vida e a morte. São espíritos muito evoluídos; aqui no Brasil se conota a morte como uma coisa terrível, mas ela é a certeza da vida pois tudo no mundo certeza maior é que nascemos para morte. com isso da mesma forma que se agrada a vida se agrada a morte.
como eu havia dito já num outro tópico a respeito da abikunidade essa sociedade EGBÁ-ORUN é presidida por IYÁJANSÁ para os olokos(meninos e meninas)
ALAWAIYÊ (rei de awaiyê) que foi por ele que vieram a primeira vez no AIYÊ na cidade a onde se encontra a floresta ABIKU nascendo assim a sociedade EMERE.
NB: nos tempos remotos na áfrica não se podia criar dois filhos ao mesmo tempo quando nasce-se gêmeos o primeiro que viera ao mundo era sacrificado jogado ao rio. acredita-se que o segundo era sempre o mais inteligente pois olhará o mundo e ficava VIVO, pois a mulheres naquela época criavam seus filhos nas costa então aquele espírito que se era cortado o seu eló de nascimento vinha em forma de espíritos ums para terem a chance de reencarnar e outros para se vingar com isso passou ater muito aborto natural, as mães quando davam a luz morriam foram as crianças nascia deformes sempre de alguma forma ele tentavam interromper o nascimento de uma nova criança. Ao consultar orumila o oráculo de ifá se apresentou odu ejioko veio abolir os sacrifícios de gêmeos assim tendo que através de oferendas tentarem apaziguar os espíritos que haviam sido sacrificados que tomaram o nome de abiku= o que nasce para morrer=atravez dai nasce a sociedade emere que fica na cidade de AWAIYÈ.com isso também nasce varios tipos de abikunidades.
Então na minha compreensão os abikus esta ligado também a forma que eles vem ao mundo reencarnam e com isso através de determinadas cerimônias como carrego de abikus e etc... Podem trazê-los de volta a vida que deve ser tratado com muita sabedoria e conhecimento e com isso dependendo do estado de abikunidade pode-se até serem raspados pois na minha compreensão a abikunidade não esta relacionada com a raspagem da cabeça e sim estagio espiritual a ser tratado que nesse caso se não bem elaborados pode trazer serio problemas de geração a geração para aquela família a onde se relata um estado de abikunidade.
NB: existe determinados orixás que não se raspa na cabeça de ninguem mas não quer dizer que essa pessoa seje abiku e sim e orixa muito evoluído
ex: um determinada qualidade de oxalá que não pode levar obé-teré(navalha)etc...
bença a todos os meu irmão e a todos meus humildes respeito.
Um texto de Verger
Abiku - Se uma mulher, em país yorubá dá à luz uma série de crianças natimortas ou mortas em baixa idade, tradição reza que não se trata da vinda ao mundo de
várias crianças diferentes, mas de diversas aparições do mesmo ser (para eles, maléfico) chamado àbíkú (nascer-morrer)
que se julga vir ao mundo por um breve momento para voltar ao país dos mortos, órun (o céu), várias vezes.
Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus pais,
desejos de ter os filhos vivos.
Essa crença se encontra entre os Akan, onde a mãe é chamada awomawu (ela bota os filhos no mundo para a morte). Os ibo chamam os abikú de ogbanje,
os hauças de danwabi e os fanti, kossamah.
Encontramos informações a respeito dos abikú em oito itans (histórias) de ifá, sistema de adivinhação dos yorubá, classificados nos 256 odu (sinais de ifá).
Essas histórias mostram que os abikú formam sociedades no egbá órun (céu), presididas por iyàjansà (a mãe-se-bate-e-corre) para os meninos e olókó
(chefe da reunião) para as meninas, mas é Aláwaiyé (Rei de Awaiyé) que as levou ao mundo pela 1ª vez na sua cidade de Awayié. Lá se encontra a floresta
sagrada dos abikú, aonde os pais de abikú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo.
Quando eles vem do céu para a terra, os abikú passam os limites do céu diante do guardião da porta, oníbodé órun , seus companheiros vão com ele até o local onde
eles se dizem até logo. Os que partem declaram o tempo que vão ficar no mundo e o que farão. Se prometem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas,
crianças apesar de todo os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu.
Os abikú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um abikú menina chamada "A-morte-os-puniu" declara diante de oníbodé órun que nada do
que os seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes nem dinheiro, nem roupas que lhes ofereçam, nem todas as cosias que eles gostariam de fazer por ela
atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam.
Um abikú menino, chamado ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu.
Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta abikú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo. Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; um outro, iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele casasse; um outro, que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar.
Outros prometem à iyàjanjasà, que está chefiando a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar no mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes ou ficar em pé.
Nossas histórias de ifá nos dizem que oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses abikú e de lhes fazer esquecer suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo de suas idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo marcado para a volta já tenha passado, seus companheiros se arriscam a perder o poder sobre eles.
É assim que nessas quatro histórias encontramos oferendas que comportam um tronco de bananeira acompanhado de diversas outras coisas. Um só dos casos narrados, o terceiro, explica a razão dessas oferendas:
"Um caçador que estava à espreita, no cruzamento dos caminhos dos abikú, escutou quais eram as promessas feitas por três abikú quanto à época do seu retorno ao céu."
"Um deles promete que deixará o mundo assim, que o fogo utilizado por sua mãe, para preparar sua papa de legumes, se apague por falta de combustível. O segundo esperará que o pano que sua mãe utilizar, para carregá-lo nas costas se rasgue. A terceira esperará, para morrer, o dia em que seus pais lhe digam que é tempo de ele se casar e ir morar com seu esposo."
"O caçador vai visitar as três mães no momento em que elas estão dando à luz a seus filhos abikú e aconselha à primeira que não deixe se queimar inteiramente a lenha sob o pote que cozinha os legumes que ela prepara para seu filho; à segunda que não deixe se rasgar o pano que ela usar para carregar seu filho nas costas, que utilize um pano de qualidade diferente; ele recomenda, enfim à terceira, de não especificar, quando chegar a hora, qual será o dia em que sua filha deverá ir para a casa do seu marido."
As três mães vão, então consultar a sorte, ifá, que lhes recomenda que façam respectivamente as oferendas de um tronco de bananeira, de uma cabra e de um galo, impedindo, por meio deste subterfúgio, que os três abikú possam manter seu compromisso. Porque, se a primeira instala um tronco de bananeira no fogo, destinado a cozinhar a papa do seu filho, antes que ele se apague, o tronco de bananeira, cheio de seiva e esponjoso, não pode queimar, e o abikú, vendo uma acha de lenha não consumido pelo fogo, diz que o momento da sua partida ainda não é chegado. A pele de cabra oferecida pela Segunda mãe serve para reforçar o pano que ela usa para levar seu filho nas costas; a criança abikú não vai achar nunca que esse pano se rasgou e não vai poder manter sua promessa.
Não se sabe bem o porque do oferecimento de um galo, mas a história conta que quando chegou a hora de dizer à filha já uma moça, que ela deveria ir para casa do seu marido, os pais não lhe disseram nada e a enviaram bruscamente para a casa dele.
Nossos três abikú não podem mais manter a promessa que fizeram, porque as circunstâncias que devem anunciar sua partida não se realizaram tais como eles tinham previsto na sua declaração diante de oníbodé órun. Estes três abikú não vão mais morrer. Eles seguiram um outro caminho.
Comentamos esta história com alguns detalhes porque ilustra bem o mecanismo das oferendas e de sua função. Não é o seu lado anedolíco (de lenda) que nos interessa aqui, mas a tentativa de demonstração de que em país yorubá, a sorte (destino) pode ser modificada, numa certa medida, quando certos segredos são conhecidos.
Entre as oferendas que os retêm aqui, na terra, figuram, em primeiro plano, as plantas litúrgicas. Cinco delas são citadas nestas histórias:
- Abíríkolo (crotalaria lachnophera, papilolionacaae)
- Agídímagbayin (não identificada)
- Ídí (terminalia ivorensis, combretacae)
- Ijá àgborin (não identificada)
- Lara pupa (ricinus communis - mamona vermelha)
Ainda mais duas plantas são frequentemente utilizadas para reter os abikú e que não figuram nessas histórias:
- Olobutoje ( jatropha curcas, euphorbiaceae)
- Òpá eméré ( waltheria americana, sterculiaceae).
A oferta dessas folhas constitui uma espécie de mensagem e é acompanhada por ofó (encantamentos).
Em país yorubá, os pais, para proteger seus filhos abikú e tentar retê-los no mundo, podem se dedicar a certas práticas, tais como fazer pequenas incisões nas juntas da criança e aí esfregar atin (um pó preto feito com ossum, favas e folhas litúrgicas para esse fim) ou ainda ligar à cintura da criança um ondè, talismã feito desse mesmo pó negro, contido num saquinho de couro.
A ação protetora buscada nas folhas, expressa nas fórmulas de encantamento, é introduzida no corpo da criança por pequenas incisões e fricções, e a parte do pó preto, contida no saquinho do ondé, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos hostis, sendo essa forma de expressão menos efêmera do que a palavra.
Em uma outra história, são feitas alusões aos xaorôs, anéis providos de guizos, usados nos tornozelos pelas crianças abikú , para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los no mundo e lembrar-lhes suas promessas. De fato seus companheiros não aceitam assim tão facilmente a falta de palavra dos abikú, retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais, de acordo com o conselho dos babalaôs. Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as crianças abikú sobre a terra. Iyájanjàsa é muitas vezes mais forte. Ela não deixa agir o que as pessoas fazem para os reter e porá tudo a perder o que as pessoas tiverem preparado. Contra os abikú não há remédios.
Yiájanjàsá os atrairá à força para o céu. Os corpos dos abikú que morrem assim, são frequentemente mutilados.
A fim de que, dizem, eles percam seus atrativos e seus companheiros no céu não queiram brincar com eles sobretudo para que o espírito do abikú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo.
Essas criança abikú recebem no seu nascimento, nomes particulares. Alguns desses nomes são acompanhados de saudações tradicionais. Eles podem ser classificados: quer nomes que estabeleçam sua condição de abikú; quer nomes que lhes aconselham ou lhe suplicam que permaneçam no mundo; quer em indicações de que as condições para que o abikú volte não são favoráveis; quer em promessas de bom tratamento, caso eles fiquem no mundo. A frequência com que se encontra, em país yorubá, esses nomes em adultos ou velhinhos que gozam de boa saúde, mostra que muitos abikú ficam no mundo graças, pensam as almas piedosas, a todas essas precauções, à ação de Òrúnmìlà, e à intervenção dos babalaôs.
ALGUNS NOMES DADOS AOS ABIKÚ
Aiyédùn - a vida é doce
Aiyélagbe - Nós ficamos no mundo
Akúji - O que está morto, desperta
Bánjókó - Senta-se comigo
Dúrójaiyé - Fica para gozar a vida
Dúróoríìke - Fica, tu serás mimada
Èbèlokú - Suplica para que fique
Ilètán - A terra acabou (não há mais terra para enterra-lo)
Kòjékú - Não consinta em morrer
Kòkúmó - não morra mais
Kúmápáyìí - A morte não leva este daqui
Omotúndé - A criança voltou
Tìjúikú - Envergonhado da morte (não deixa a morte te matar)
fonte Pierre Verger
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