
Ossãe é a divindade das folhas sagradas e litúrgicas do axé e a sua importância do axé e a sua importância é fundamental, pois sem elas não poderíamos captar as energias que delas desprendem, prioritárias no poder da força em axé imprescindível para todos os deuses do panteão yoruba que as reconhecem e se curvam diante das suas energias e força.. As folhas são sagradas e sem elas jamais se poderiam preparar os yiawos, veículos dos orixás, assim como, seus respectivos okutas (pedras sagradas) e banhos de abo (infusão de ervas)
O pássaro é uma das suas representações, porque ele é o mensageiro que vai e retorna à toda parte, volta e empoleira na cabeça de Ossãe trazendo suas mensagens. Olodumare deu o segredo das ervas a Ossãe e ele se tornou proprietário. Um dia Xango reclamou e disse a sua mulher Oya quer era errado ele deter tanto poder sozinho. Oya ouviu o Rei com toda atenção e neste momento levantou suas saias, agitou-as impetuosamente e ai neste momento um vento violento começou a soprar balançando todas as árvores. Ossãe guardava seu segredo numa cabaça esse se desprendeu e caiu no chão espatifando-se, e Ossãe nervoso gritou EWE EWE (oh! Folhas oh! Folhas), não foi possível que os deuses pegassem suas folhas e repartissem entre si.
Ossãe está sempre ligado a Orumila Ifa, e diz a lenda o seguinte:
Orumila quando veio ao aye (mundo) precisou de um escravo para lavrar seu campo, mandou que comprasse um no mercado e o que veio foi Ossãe.
Quando o escravo (Ossãe) começou p trabalho percebeu que ia cortar a folha que cura a febre. Então ele gritou:
- impossível cortar esta folha que cura a febre, esta erva é muito útil a saúde.
A segunda erva não pode cortar porque curava a dor de cabeça e se recusou determinantemente a destruí-la, a terceira supria as cólicas... Então ele disse:
- Na verdade não posso destruir nenhuma dessas ervas, pois elas mantinham o corpo em estado de saúde. Orumila tomando ciência da conduta do seu escravo demonstrou o desejo de ver essas ervas que ele se recusava a cortar e decidiu que Ossãe ficasse perto dele para explicar-lhe as virtudes das plantas, das folhas e das ervas, mantendo-o sempre ao seu lado nas horas das consultas feitas a ele Orumila.
Ossãe é praticamente o dono do ritual das folhas, esse ritual é dividido do seguinte modo:
O Itá....................... (ritual das folhas que compreendem 3 dias)
O Igé.......................( 7 dias)
O Ika.......................( 14 dias)
(Deixo aqui a minha observação (Sérgio de Ajunsun): existem axés que tem seu ritual (sassanha) que se estende até por 21 dias). Este ritual é todo cantado e ele pode ser diversificado dependendo do ordenamento do axé, cito por exemplo o Axé Engenho Velho que se usa o sistema de sete e dezessete dias , o axé gantois também usa o mesmo sistema, já o Opo Afonjá ordena o seu sassanha em seis, doze e dezoito dias.
As qualidades que se conhecem de Ossão são:
Aroni
Ague
Aga
Aguemo
Ebenedi e
Ossão
Aroni e Aguemo são selvagens, são eles que que recebem as oferendas quando temos que adentrar às matas para pegar folhas, são bugres, andam lado a lado com uma qualidade de ode chamada de Ode Dana-dana (o nome desse ode não pode ser pronunciada dentro das casas de Jeje, quando querem se referir a ele chama-o de O Belo Ofa), mais tarde, quando estiver escrevendo sobre essa qualidade, explicarei o porquê)
Agué e Ossãe esses orixás são as únicas qualidades que podem ser feitas na cabeça de um yawo.
Agá essa qualidade mora dentro dos runkós.
Ebenedy essa qualidade é a que se arruma no tempo em todas casas de candomblé.
Espero ter contribuído ao falar nessa página sobre Ossãe. Não deixe de consultar a página folhas.
Saudação: "Eu Eu Ossae"
Sincretismo: São Benedito - 6 de janeiro
Dados
Dia: Quinta feira
Data: 5 de Agosto
Metal: Estanho
Cor: Verde e branco
Partes do corpo: o peito dos pés, parte da perna entre o tornozelo e o joelho.
Comida: fumo, mel, cachça (otin), milho vermelho, espigas regadas com mel.
Arquétipo: Pessoa equilibradas e capazes de controlar seus sentimentos e emoções, não deixam suas simpatias e antipatias interferirem nas suas decisões ou influenciarem suas opiniões das pessoas ou acontecimentos, aquele que não tem uma concepção estreita da moral e da justiça.
Símbolos: Ferros com sete pontas com um passaro, que é árvore com o ramos e uma ave pousada no topo.
Ervas:
Manacá, quebra-pedra, mamona, pitanga, jurubeba, coqueiro, café (alfavaca, coco de dendê, folha do juízo, hortelã, jenipapo, lágrimas de nossa senhora, narciso de jardim, vassourinha, verbena)
Símbolo:
Ferro com sete pontas com um pássaro na ponta central. (Representa uma árvore de sete ramos com um pássaro pousado sobre ela)
Comidas:
Banana frita, milho cozido com amendoim torrado, canjiquinha, pamonha, inhame, bolos de feijão e arroz, farofa de fubá; abacate
Bebida:
suco de hortelã, suco de goiaba, enfim sucos de qualquer fruta
Lendas
Ossãe recusa-se a cortar as ervas miraculosas
Ossãe era o nome de um escravo que foi vendido a Orumilá. Um dia ele foi à floresta a lá conheceu Aroni, que sabia tudo sobre as plantas. Aroni, o gnomo de uma perna só, ficou amigo de Ossãe e ensinou-lhe todo o segredo das ervas. Um dia, Orumilá, desejoso de fazer uma grande plantação, ordenou a Ossãe que roçasse o mato de suas terras. Diante de uma planta que curava dores, Ossãe exclamava: "Esta não pode ser cortada, é as erva as dores". Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo". E assim por diante. Orumilá, que era um babalaô muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Ossãe ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas. E assim Ossãe ajudava Orumilá a receitar a acabou sendo conhecido como o grande médico que é.
Ossãe dá uma folha para cada Orixá
Ossãe, filho de Nanã e irmão de Oxumarê, Ewá e Obaluaiê, era o senhor das folhas, da ciência e das ervas, o orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida. Todos os orixás recorriam a Ossãe para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Ossãe na luta contra a doença. Todos iam à casa de Ossãe oferecer seus sacrifícios. Em troca Ossãe lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abô, beberagens.
Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as disenterias, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.
Mitologia Ossãe e filho de Nana, irmão de Obaluaê, Oxumarê e Ewá. Sempre foi muito circunspeto, introvertido, pensativo. Ainda jovem, partiu para floresta – que sempre o atraiu – e lá estudo as plantas, as árvores e aprendeu o segredo das ervas, cuidando dos animais feridos e fazendo experiências.
Deteve, assim, o domínio do poder das ervas. E sempre que algum outro Orixá precisava de uma planta, de uma erva, devia, em primeiro lugar, pedir autorização a Ossãe, e o senhor do verde.
Xangô, Rei de Oyó, achando que todos deveriam ter o conhecimento das ervas, pediu à Iansã, Senhora dos ventos, que convencesse Ossãe a dividir com os demais Orixás os mistérios e os segredos do uso da planta. Ela, por sua vez partiu para a floresta, sacudiu sua saia e fez gerar uma forte ventania, espalhando as folhas por todo o reino de Oyó e outro como Ketu, Ifé, Oxogbô, Abeokutá, Numpé, etc.
Ossãe assistia a tudo de forma impassível. Via suas folhas indo em direção a todos os reinos, sem dizer uma palavra. No fundo, o alquimista sabia que estava dividindo as plantas, as espécies e nada podiam fazer diante de tão forte ventania.
Vitoriosa, Iansã voltou ao reino de Xangô, certa do dever cumprido. Na floresta, Ossãe lamentava o vento que espalhara suas folhas, mas, intimamente, sorria de forma irônica e comentou consigo mesmo:
- De que adianta as folhas, sem o segredo? De que adianta possuir a erva, sem o mistério? De que adianta possuir o ingrediente mágico, sem o poder de gera a magia?
Assim, Ossãe continuou como o mestre das ervas. Embora os outros Orixás também tenham suas folhas, ficou com Ossãe o segredo e a forma de encantá-la. De nada adiantou terem as folhas, se não sabiam usá-la ou aplicá-las. Para isso, continuaram a depender de Ossãe que, sabendo perdoar, continuou a curar, a dar receitas para gerar o encantamento, pois nada podia ser feito sem as ervas. Nenhum ritual daria certo sem o encanto das folhas, como até hoje.
Por isso, o africano nos ensinou, através de um Oriké (verso sagrado) o que significo, exatamente, o poder de Ossãe:
“Sem folha não há orixá, não há o Axé!”
(Kosi ewe, kosi orisa, diz o ditado iorubano)
Babalorixá Sérgio de Ajunsun Para maiores contato telefone para (21) 3755-5424 ou 9177-3054.
Textos para mais pesquisas:
As atividades de Ossãe são cercadas de cuidados quase ritualísticos. Para que um iniciado possa recolher as ervas necessárias ao culto a ser realizado, deve-se abster de qualquer bebida alcoólica e de relações sexuais na noite que precede a colheita. As folhas devem ser colhidas na floresta virgem, sempre que possível. Antes de penetrar na mata, o iniciado deve pedir licença a Oxossi e a ossãe, para isso acender vela na entrada, com o cuidado de limpar a área onde ficarão as velas. Ossãe tem uma aura de mistério em torno de si, da mesma forma que a sua especialidade, apesar de muito importante, não fazer parte das atividades cotidianas como a luta, a conquista, a comunicação ou a caça. Constituindo-se mais uma técnica, um ramo de conhecimento que é empregado quando necessário, a cura é invocada no caso de doença, com o auxílio de Obaluayê (Omulu).
Orixá de sexo masculino, que em muitas histórias é apresentado como uma figura de uma perna só, confundindo-se com "Aroni" um anãozinho, que assim como o nosso Saci-Pererê, tem sempre na boca um cachimbo.
Os filhos de Ossãe são pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções. Daquelas que não permitem que suas simpatias e antipatias intervenham nas suas decisões ou influenciem as suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos. Além disso, são reservados, raramente intervindos em questões que não lhe digam respeito, não sendo necessariamente introvertido, mas não se faz notar pela atividade social. Certa aura de mistério sobre o passado, pode estar presente mesmo quando este passado não tem mais nada a esconder.
Veja também:
Folhas 
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