Oxumare 1

É representado na forma serpente/arco-íris e suas funções não são fáceis de definir, pois são múltiplas.
É o Senhor dos opostos/antônimos: bem e mal, dia e noite, positivo e negativo, etc...
DAN é o símbolo da continuidade e é representado pela serpente que morde a própria 
cauda, formando um circuito fechado, um círculo. Círculo é uma forma geométrica que não tem fim. 
É contínuo.
É o orixá da tese e da antítese.
Simboliza também a força vital, do movimento, a ação da eterna transformação. 
É encarregado de produzir e dirigir forças que produzem o movimento.
É senhor de tudo que é alongado: o cordão umbilical é um de seus domínios.
É ao mesmo tempo macho e fêmea.Esta natureza dupla é definida pelas 
cores azul e vermelho que permeiam o arco –íris.
Sustenta a terra e a impede de desintegrar-se.
É a riqueza e a fortuna.
Algumas pedras azuis – NANA ou AIGRY, denominam-se DAN MI. 
(EXCREMENTO DE DAN) e são deixadas por ele no chão.
Entre os yorubás, DAN recebe o nome de Oxumarê (o arco-íris).
Sua iyaworisá usa colares de búzios, enfiados de tal forma que se assemelha a escamas de cobras.
Acredita-se que Oxumarê é o servidor de Xangô e que seu ofício consiste em recolher a água da terra 
para leva-la ao palácio de Xangô, situado nas nuvens.Recolhe-a da terra durante a 
chuva levando-a para nuvens novamente – continuidade
Seu culto objetiva solicitar a Oxumarê que o mundo, a vida não parem...
No Brasil a cultura negra, foi continuamente assediada pela colonização branca, impondo 
através da repressão física e cultural os hábitos portugueses. Com relação a Oxumarê, não 
poderia ser menos drástico o combate o a seu culto.
Para o Cristianismo, não há animal mais peçonhento e maldito do que a cobra, pois ela é o 
motivo da expulsão de Adão e Eva do paraíso. Devido a esta relação de Oxumarê 
com a serpente, seu culto no Brasil foi fortemente combatido e distorcido.
Há sacerdotes que relacionam o movimento circular de Oxumarê 
(quando preso à cauda) com o movimento de rotação da terra e seu 
translado em torno do Sol: a dinâmica da vida e do Universo.
Arco-íris/bem/masculino – Cobra/mal/feminino
O arco-íris: fenômeno físico é o oposto da chuva que terminou, 
constituindo-se no reflexo que as partículas do sol, agora brilhando 
no céu, provocam nos cristais líquidos em evaporação.
A cobra: não só pelo movimento circular, mas também pela constante substituição de pele.

Osumare a gbe orun li apa ira
(Oxumarê permanece no céu que ele atravessa com o braço)

Seu maior símbolo ..........serpente, arco- íris
Suas plantas ................. dracena (pau dágua ), batata doce, cana do brejo, parietária
Seu dia ...........................quinta-feira 
Sua cor ...........................verde e amarelo, todo o arco íris
Seu mineral .....................latão
Seus elementos ................terra
Saudação ........................Arô Boboi !
Domínios :......................fertilidade
Comidas :........................batata doce, omolocum, bertalha com ovos; banana
Animais :........................serpente
Quizilas ..........................sal, água salgada
Características .................astucioso, adaptável, criativo, inquieto, mutável, tortuoso, inteligente, alegre, vingativo
O que faz : ..................dá sorte, fartura e fertilidade. Protege a gravidez
Riscos de saúde.. .............pressão baixa, vertigens, problemas de nervos. Problemas alérgicos e de pele

Arquétipo dos filhos:  

Oxumare é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacríficios para atingir seus objetivos. Suas tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza andrógina de seu deus. Com o sucesso tornam-se facilmente orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza recente. Não deixam de possuir certa generosidade e não se negam a estender a mão em socorro àqueles que dela necessitam.

(Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio")

São persistentes e pacientes, não medindo esforço para atingir seus objetivos.São generosos ou avaros, conforme a situação econômica em que se encontram. Agitados e observadores, procuram constantemente o equilibrio e a harmonia. Sua grande força é a eloquencia e a inteligencia, armas que usam com muitas habilidades situação de ataque e defesa .
Os filhos de Oxumare estão entre aquelas pessoas que, de tempo em tempo, mudam tudo em sua vida: mudam de casa, de amigos, de
emprego, como se os ciclos se sucedessem sempre, obrigatoriamente,
exigindo e provocando um rompimento com o passado e iniciando diariamente a busca de um novo equilíbrio que deverá persistir até
um novo momento de ruptura, desintegração e substituição. Eles
também tem certos traços de orgulho e de ostentação, algo que os aproxima do clichê do novo rico exibicionista e costumam possuir o
dom da vidência.

Referência Bibliográfica:
VERGER, Pierre;  Orixás, Deuses Iorubás na Africa e no Novo Mundo;   5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre; Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.
e vários sites

Oxumare 2

OXUMARÊ – A Dualidade Presente

   

Oxumarê é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do orixá feminino Oxum, a senhora das águas doces. Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem. Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo: metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo. Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.... Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é aponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô. Nos seis meses subseqüentes, o orixá assume a forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso. Oxumarê é o orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem para, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo. Certas casas de Umbanda e certos zeladores tem em seus cultos a não presença do orixá Oxumarê. Ledo engano aqueles que pensam que Oxumarê não faz parte dos cultos de Umbanda. É o orixá das sete cores do arco-íris, e por isso traz na sua essência as sete linhas dentro de Umbanda. É o orixá das cores e de tudo o que é belo. Não existe altar sem rosas e não existe rosa sem cor. Ai está presente Oxumarê. Em termos superficiais, pode-se também associar o arco-íris ao bem e a cobra ao mal por que se o primeiro é uma imagem colorida, bonita, que traz o prazer estético as pessoas, o segundo é um animal perigoso, que pode levar o homem a morte. Outra fonte de identificação a respeito do Orixá vem das contradições existentes em suas lendas. Acontece que a origem do Orixá é uma de uma cultura diferente da maior parte doso orixás cultuados no Brasil e na própria África. Oxumarê é uma divindade originária da cultura do daomé, região centro-norte da África. Há séculos tal civilização foi dominada pelos iorubás, povo mais primitivo no sentido de organização social e visão religiosa, mas, em compensação, mais poderoso em termos de organização militar. Como aconteceu com Roma e Grécia, a dominação política de uma sociedade menos rica em produções culturais ou no terreno da superestrutura em geral fizeram com que os mitos dos daomeanos não fossem apenas reprimidos. Pelo contrário os iorubás não tentaram impor sua cultura ao povo dominado. Ficaram , na verdade, impressionados com sua cosmologia e tentaram assimilá-la, principalmente nas figuras que não fossem formas semelhantes a divindades que também possuíssem. Ao mesmo tempo, há uma diferença básica entre a cultura do Daomé e o ponto de vista dos iorubás sobre as divindades em geral. Se as figuras guerreiras de um Ogum sensual e arrebatado, de uma Iansã explícita e franca ou de uma Oxum espertamente maliciosa e diplomática são fáceis de serem compreendidas, formando arquétipos claros, os orixás do Daomé são mais soturnos, misteriosos. Suas lendas não os apresentam completamente como as lendas dos nagôs. Fica sempre um território um pouco escondido, algo secreto, misterioso, no comportamento deles, toda uma faixa de ambigüidade que não permite uma definição tão certeira e simples como dos orixás do país Yorubá. Os deuses do Daomé são mais punitivos, circunspectos, austeros e vingativos. Não são apenas levados pela passionalidade das figuras mais comuns do mundo iorubá, que da mesma forma que punem arrasadoramente, dramaticamente se arrependem do que fizeram aos seres humanos. Não, Oxumarê, Iroko, Omulu, Obaluaiê e Nanã, os orixás do Daomé mais conhecidos e cultuados, castigam quando dispostos ou provocados, mas raramente se arrependem e não possuem as falhas humanas risíveis e humanizadoras das figuras do panteão iorubá. Por ser comum seu “aparecimento” como cobra e como arco-íris nos rios e cachoeiras, Oxumarê costuma receber suas oferendas nesses locais, outro fator a aumentar a confusão que se estabelece entre ele e Oxum, que também é cultuada nesses ambientes.

   

O Arquétipo dos seus filhos

   

Como é de costume a todas as divindades originárias do daomé (cultura Jeje), é relativamente difícil estabelecer um arquétipo específico de comportamento associado ao orixá, já que ele é misterioso e cheio de sombras em seus mitos. Os filhos de Oxumarê são bem mais difíceis de serem reconhecidos do que os guerreiros filhos de Iansã, os calmos e sábios filhos de Oxalá e os maternais e familiares filhos de Yemanjá, por exemplo. Mesmo assim, algumas características básicas podem ser listadas. Há porém, divergências em relação às suas características ao consultarmos autores diferentes. Para uns Oxumarê é associado à riqueza: “Oxumarê é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos”. Para certos autores os filhos de Oxumarê possuem o dom da vidência. Quando vivia na Terra, Oxumarê previa tudo, adivinhava o que ia acontecer, a tal ponto que não era mais possível viver. Os deuses então decidiram mantê-lo afastado dos homens, pois a clarividência total acaba transformando-se em maldição. A seu pedido, Oxumarê obteve a autorização de descer na terra de três em três anos, o que talvez explique parte do mistério referente ao culto deste orixá e também sua rara participação nos jogos de búzios, onde os orixás em geral se revezam nas respostas – mas é raro se encontrar uma resposta de Oxumarê. Seus filhos estão entre aquelas pessoas que, de tempo em tempos, mudam tudo em sua vida: mudam de casa, de emprego, como se ciclos se sucedessem sempre, obrigatoriamente, exigindo e provocando um rompimento com o passado e iniciando diuturnamente a busca de um novo equilíbrio, até o momento da real mudança. Também são apontados nos filhos de Oxumarê certos traços de orgulho e de ostentação, algo que os aproxima do clichê do novo-rico exibicionista. A androginia do orixá por vezes é estendida a seus filhos. Estes, segundo alguns historiadores seriam bissexuais em potencial, mas essa interpretação não é aceita universalmente, tendo alguns sacerdotes especificado que não há ligação possível entre papel, preferência sexual e orixá. Fisicamente são pessoas que se movimentam de forma leve, pouco levantando os pés do chão, sugerindo mesmo a idéia que rastejam. São pessoas que apesar do descrito anteriormente, tem uma grande energia nervosa e necessitam se movimentar, agilidade, indo de um lado para outra. São pessoas que como a cobra, armam seus botes de forma silenciosa, e atacam só quando tem certeza da vitória. São pessoas difíceis de se relacionarem devido a grande facilidade de mudarem tudo de uma hora para outra. São pessoas fechadas e apesar da família e dos amigos são muito fechados e quase sempre obrigatoriamente solitários. Além da tendência de serem esguios a terem pele oleosa, talvez bastante escorregadia, outra característica física saliente que possuem é o olhar, já que olhos de cobra, grandes e um pouco salteados.

 

O Culto ao Orixá

Oxumarê, como a maior parte dos orixá daomeanos e, principalmente, como outros orixás cujo habitat preferencial é a floresta (Ossain, Oxóssi) por exemplo, e comemorado cerimonialmente às terças feiras (certas nações dão a quarta feira junto com Xangô e Iansã). Como é produto da cultura do Daomé, sua mãe, ao contrário de Yemanjá mãe de praticamente todos os orixás iorubás – com exceção de Logunedé, filho de Oxóssi e Oxum – é a austera Nanã Buruku. Seu pai, não existente na cultura matriarcal dos daomeanos, tornou-se pela assimilação cultural nagô Oxalá, a figura masculina de mais destaque desta cultura. Seu elemento é todo o tipo de movimento constante, de substituição, ruptura, fim, mudança e reinicio. Seu domínio é o arco-íris e a cobra. As contas de Oxumarê denotam sua dualidade pois possuem duas cores e verde e o amarelo. O sincretismo é raro, mas quando acontece, a figura associada ao orixá do arco-íris é a de São Bartolomeu. Para ele são sacrificados bodes, galos e galinhas d'angola (conquíns). As suas comidas ritualísticas podem ser o feijão com milho, a pipoca, azeite, camarões além dos bolos de batata doce com formas de cobras e poços. Seu instrumento é o cacho sagrado das sete cores do arco-íris. Sua saudação é Arrôboboi!!!

Obs. Como falamos de oxumare eu achei que não tinha como terminar por aqui sem falar de vodun.

Voduns

A tradição e a cultura do escravos de língua jeje, Ewe, Fon, Mina, Fanti, Ashanti, deram origem no Brasil às tradições conhecidas como: * Candomblé Jeje , teve início em Salvador e no Recôncavo baiano, nas cidades de Cachoeira e São Félix e outras, depois migrou para o Rio de Janeiro, São Paulo. * Tambor de Mina, ficou restrito a São Luís do Maranhão com a única casa de Jeje-Mina no Brasil que é a Casa das Minas. * Xangô do Nordeste, Xangô do Recife, Xangô de Pernambuco ou Nagô-Egbá ou Jeje-Nagô, teve início na Região Nordeste, uma parte migrou depois para outros estados.

Origem

Os voduns são divindades de origem Fon que correspondem aos orixás dos nagôs. Os fons, ao chegarem no Brasil, eram chamados de "Jejes", implantaram aqui o seu culto, baseado na rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Assim, como os Nagôs ou Yorubas, os Jejes língua Ewe, língua Fon, língua Mina e os Fanti ashantis, formam grupos sudaneses que englobam a África Ocidental hoje denominada de Nigéria, Benin e Togo. Sua entrada no Brasil ocorreu em meados do século XVII. Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!). Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil ou Nação Jeje.

Dentre os daomeanos escravizados, uma mulher chamada Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), foi escolhida pelos Voduns para fundar três templos na Bahia. Ela fundou: * um templo para Dan; Kwé Cejá Hundé, mais conhecido como a Roça do Ventura ou Pó Zehen (pó zerrêm) de Jeje Mahin em Cachoeira e São Felix; * um templo para Heviossô Zoogodo Bogun Male Hundô Terreiro do Bogum em Salvador; * um templo para Ajunsun que não se sabe porque não foi fundado. Esse é o segmento Jeje Mahin do povo Fon. O templo de Ajunsun-Sakpata foi fundado mais tarde pela africana Gaiaku Satu, em Cachoeira e São Felix e recebeu o nome de Axé KPó Egi, mais conhecido por Cacunda de Ayá, que tem como sua representante a iyalorixá Maria de Lourdes Buana (Iyá Ominibu Kafae foobá), filha de Mae Tança de Nanã (Jaoci) que era filha de Gaiaku Satu. Dna Lourdes, tem roça em Salvador no Bairro Cabrito, e também em Nilópolis, no Rio de Janeiro funcionando com toda a força apesar de seus quase 80 anos, marcando sua tradição no Kwe Foobá, com diversos descendentes do Jeje Savalu. São os Jeje Savalu ou Savaluno. Sakpata era rei da cidade Savalu na África, segundo alguns historiadores, Sakpata foi o único rei que preferiu o exílio a se render aos conquistadores do Daomé. O dialeto dos savalus também é o Fon.

No Rio de Janeiro, foi fundado pela africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o Terreiro do Kpodabá no bairro da Saúde, que foi herdado por sua filha Adelaide do Espírito Santo, também conhecida como Ontinha de Oiá (Devodê), mais conhecida como Mejitó, que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da Rocha, e esse axé foi herdado por Glorinha Toqüeno, com terreiro no bairro de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. O Kpodabá é a casa matriz , mas deixou ramificações, como o Kwesinfá fundado em Agostinho Porto, por Natalina de Aziri (Ezintoede) tendo como herdeira Helena de Bessem que transferiu o axé para Parque Paulista, em Duque de Caxias, hoje Filha de Santo de Glorinha Tokuenu. Depois veio Antonio Pinto de Oliveira. Tata Fomotinho que fundou o Kwe Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo, depois mudou-se para Madureira na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba. Dizem os mais velhos, que Mejitó, ajudou muito Tata Fomotinho no começo de sua vida de santo no Rio de Janeiro. Ele deixou uma legião de filhos, netos e bisnetos. Dentre esses, Jorge de Iemanjá que fundou o Kwe Ceja Tessi, Pai Zézinho da Boa Viagem que fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia Belinha que fundou a Colina de Oxosse e Amaro de Xangô. Ressaltamos ainda, a importancia do Jeje Mahin quanto ao vodun Azunsun ou Ajunsun - [Azônce vodum] Sakpatá. [Todos os Voduns, pertencentes ao panteão de Sakpatá, são da família Dambirá. Nesse panteão temos vários Voduns. O mais velho que se tem notícia é Toy Akossu, no transe, ele se mantém deitado na azan (esteira). Dizem os mais velhos, que Toy Akossu é o patrono dos cientistas, ele dá à eles inspirações para a descoberta das fórmulas mágicas que curarão as doenças e as pestes. Ele é a própria "doença e cura", como também um excelente conselheiro.] A casa de Etemim Caca em Nova Iguaçu/RJ Miguel Couto é Jeje também Mahin, filho de santo de Mãe Alda de Oyá, também de Cachoeira e São Félix/ Bahia. Pai Caca também tem casa (Kwe) aberta em Florianópolis/SC, bem como costuma atender na Europa seus clientes e filhos de santo, tendo como base o nome do Vodun Azunssun acima de tudo!!! E de Axé. Andréia Camargo conhecida como Andreia de Montecatini tinha sua roça em Campo Grande no Rio de Janeiro. Foi iniciada por Alberto de Osun mare - Secigenan, na época seu avô de santo pai de sua Yatemi Cleia de Oba. Anos mais tarde tornou-se filha de Mae Dalva T' Obaluae conhecida como dofonitinha, filha do Rei do Jeje no Brasil pai Zézinho da Boa Viagem. Mae Dalva tinha sua roça em Magalhaes Bastos. Anos apos mãe Andréia fundou o asé Kwe Ceja Dan Gbèsèn na Italia na cidade de Montecatini motivo pelo qual vem sopranominada de Andréia de Montecatini.

Fonte de pesquisa: Wikipédia Brasil.

 

Aido Wedo e Dambala

 

Aido Wedo(aidô uêdô) e Dambala são para o povo Jeje os maiores deuses. Aido Wedo é o arco-íris e Dambala a sua imagem refletida nas águas oceânicas. O Dangbé é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. Na África esse Vodum é conhecido como DA.

Dada - Termo pelo qual o Vodum Dan é louvado. A coroa de Dan é chamada de Coroa de Dada. Dan tanto pode ser um Vodum masculino quanto pode ser um Vodum feminino, porém para tratá-lo, fazê-lo ou assentá-lo temos que cuidar sempre do casal. Como dizem os antigos "cobra não anda sozinha, seu parceiro esta sempre por perto". Dambala também é conhecida como Daidah (daídar) – A "Cobra–Mãe". Essa Vodum não pode ser feita em mais de duas pessoas num mesmo país. Os velhos vodunos contam que ela é originária da Palestina. Em uma outra versão, encontramos Daidah como Lilith, a primeira mulher de Adão.

 

No Brasil encontramos cerca de 48 Voduns Dans, na África encontramos muito mais que isso. Essa família é muito grande. Dan é um Vodum muito exigente em seus preceitos, muito orgulhoso e teimoso. Quando tratado corretamente, dá tudo aos seus filhos e a casa de santo, mas se tratado de maneira errada ou se for esquecido castiga severamente. Vodum Dan é muito fiel a casa e a mãe/pai de santo que o fez. Os símbolos de Dan, são: o arco-íris, a serpente pithon, o traken ou draka, patokwe, o dahun , a ..takara. e o ason (assôm). Seu principal atinsa (atinsá) dentro de uma casa de Santo é denominado Dan-gbi , que é onde o arco-íris se encontra com a terra ("panela lendária do tesouro!"). Dan usa muitos brajás feitos de búzios. As aighy (aigri), são importantissimas em seus assetamentos e atinsas. Para nós, Vodum Aido Wedo é o verdadeiro deus da vidência, é ele junto com Vodum Fa, quem dá aos bakonos o poder do oráculo, assim como deu a Yewa e a Legba. Aido Wedo e Dambala são quem sustentam o mundo e quando eles se agitam provocam catástrofes como os terremotos. Eles fazem parte da criação do mundo, pois vieram ajudar Nana Buluku nessa tarefa. Nos arcos-íris da lua e do sol também encontramos Voduns Dan. Ao se iniciar um filho de Dan, preceitos são feitos para que esse Vodum venha sempre em forma humana e nunca em forma de serpente, pois entendemos que na forma humana ele é menos perigoso e entende melhor os homens, podendo assim atender suas necessidades e suprí-las. Na forma de serpente torna-se muito perigoso. De modo geral os filhos de Dan são muito chegado a doenças, principalmente de olhos. São pessoas vaidosas, ambiciosas, "perigosas", espertas e inteligentes. São muito dedicados ao santo e dificilmente saem da casa onde foram feitos. Vestem branco em sua grande maioria. Alguns usam cores verde bem clarinho, prateado, ou tecido liso com o arco-íris estampado. Seus fios de conta variam de acordo com cada Vodum, não existe um modelo padrão.

 

Dan

 

Dan - É o vodun da riqueza, bastante popular na Religião Fon. É representado por uma serpente que se rasteja e se esconde na terra, mas que ascende ao céu na forma de arco-íris, sendo chamado pelo título completo de Dan Ayidohwedo. Ele é um Ayi-vodun, ainda que possa ser associado aos Ji-vodun, pois diz-se que ele transporta Heviossô até as nuvens para semear as chuvas benfazejas. O culto de Dan é originário do província Mahi, no planalto ao noroeste de Abomei e, de fato, pode ser considerado o Tô-vodun, divindade nacional dos Mahi. No resto do país Fon, os noviços de Dan são chamados por isso de mahinu, e falam o dialeto mahi dentro do convento. No final da iniciação eles são chamados de lali, que têm somente metade da cabeça totalmente raspada ao término do processo de iniciação. O vodun Dan corresponde a uma família completa, onde existem 41 aspectos masculinos e femininos da divindade. Talvez por ser ligado à fertilidade e à riqueza, Dan possui muitos adeptos e iniciados que buscam suas benesses. Não pode ser confundido com Dangbê (Dangbê - É a píton sagrada, cultuada sobretudo em Uidá, no Benin, onde seu convento principal fica em frente a catedral católica romana). Conservam-se no Candomblé Jêje a lembrança da ligação com Mahi e alguns nomes como os de Gbèsén (Bessém "A que faz frutificar a vida" - aspecto feminino) e Jikún ("Semeador da chuva" - aspecto masculino). Sua louvação principal é: A Hho bo boy = "Salve o rei cobra" ( Hho = rei, bo boy = Dans, serpentes, cobras).

 

BESÉM ( Bessen )

O culto à serpente remonta desde o início dos séculos. Os romanos e os gregos já prestavam culto à cobra, sendo os povos que mais difundiram em séculos passados este culto.

No Egito, a serpente era venerada e encarregada de proteger locais e moradias. Cleópatra era uma sacerdotisa do culto à serpente. Todos os seus pertences e adornos eram em formatos de cobras e similares. Este culto correu através do Rio Nilo as diversas regiões africanas.

No Antigo Dahomé, este culto se intensificou e lá Dan, como é chamada a Serpente Sagrada, transformou-se no maior símbolo de culto daquele povo, também sendo chamado pelo nome de vodun-besen. Já os yorubás chamaram esta mesma entidade de Osumare ou a Cobra Arco-íris; e os negros Bantos, de Angôro.

Na verdade, aí falamos de uma só divindade com vários nomes dependendo da região em que é cultuada.

Mas, Osumare, como é mais popularmente conhecido no Brasil, é o Orisa que determina o movimento contínuo, simbolizado pela serpente que morde a própria cauda e enrola-se em volta da terra para impedí-la de se desgovernar. Se Osumare perder-se a força, a Terra vagaria solta pelo espaço em uma rota a seguir, sendo o fim do nosso Planeta.

É o orixá da riqueza, um dos benefícios mais apreciados não só pelos yorubás como por todos os povos da terra.

 

Suas comidas

Dan, as cobras e a comida

 

Oxumarê é a cobra e o arco-íris ao mesmo tempo. Dan, na língua fon , ou Oxumarê para os yorubás, que dança fazendo os movimentos de uma cobra, apontando para cima e para baixo, ou arrastando-se no chão, é macho e fêmea. Nesta última posição aparece com o nome de Ewá.

Em algumas estórias, Ewá foi a mulher bonita que teria enganado a morte quando esta procurava Orunmilá , o testemunho do destino . Como Oxumarê, Ewá é considerada um dos Orixás que exigem muito saber e conhecimento para que se realize a sua iniciação. As suas comidas são à base de banana da terra e batata doce. Há casas, todavia, onde ele recebe feijão fradinho torrado ou cozido e folhas de mostarda.

Sobre estas comidas não se comenta muito também. Verdade é que, assim como este Orixá macho e fêmea, de difícil fundamento. Suas comidas são consideradas também escassas.

 

Alguns Voduns

 

Aido Wedo - (encontramos várias formas de escrever o nome dele) - Deus do Arco-íris
Dambala - esposa de Aido-Wedo, seu reflexo nas águas.
Dan-Ko - muito ligada e, por vezes confundida, como Oxalá. Conhecida no Brasil como Dan Inkó.
Ojiku - masculino, mora junto com Yewa na parte branca do arco-íris e reina no arco-íris da lua, também junto com Yewa.
Frekwen - feminina, guardiã do arco-íris em volta do sol. Também conhecida como Frekenda.
Bosalabe - toqüeno, feminina, irmã gêmea de Bosuko, irmã de Yewa. Muito alegre e faceira, mora nas águas doce. Muito confundida com Oxum. também conhecida como Vodum Bosa (bôssá).
Ijykun - feminina, mora nas enseadas. Muito confundida com Yewa.
Bosuko - masculino, toqueno, gêmeo com Bosa
Akotokwen - masculino, considerado o pai de muitos Dans.
Afronotoy - masculino, mora no rio.

 

 

Vodun Elegbara ( elebara )

 

Legbá-Vodun é filho da sétima gestação de Mawu-Lisa,portanto é o caçula da hierarquia dos Voduns. Acada Vodun filho seu,Mawu ensinou uma linguagem diferente, que deveria ser usada em seus próprios dominios de Djò ficou encarregado de ensinar a linguagem aos homens, mas todos se esqueceram como falar a linguagem de Mawu com exceção de Legbá, que nunca se separou de seus genitores.Assim todos os Voduns e toda a humanidade teria de recorrer a Legbá para se comunicar

 

com Mawu.Legbá-Vodun passou assim a estar em toda a parte, para levar e trazer mensagens dos seres criados por seus criador. Legbá, por ser muito arteiro e aprontar muitas brincadeiras perigosas e sem limites e também por ser o preferido de Mawu, foi mantido perto dos pais. Recebeu a incumbência de ser o mensageiro entre os irmãos Voduns e Mawu-Lisa. Recebeu o dom de saber todos os idiomas e dialetos para que pudesse e escutar tudo no céu e na terra e contasse para seus pais. Uma missão dificel que não poderia falhar, formando-se assim o controle Orun-Aiye.Embora o povo Fon cite somente o nome de Mawu como o Deus criador, eles têm conhecimento da existência de Lisa e o consideram o lado justiceiro de Mawu. No Benin os fetiches de Legbá-Vodun geralmente são representados por um montículo de terra com uma peça fálica, que representa a audácia de Legbá, como a coragem e a procriação. Existem duas definições para Tô-Vodun.Tanto podem ser um vodun cultuado por todos os habitantes de uma localidade, como sendo emblemático daquela localidade, independente dos laços familiares e tribais entre os habitantes;como também podem ser voduns cultuados por praticamente e todos os adeptos da religião Fon.Neste caso, Legbá,Fá, Gu, e talvez Agué, são Tô-Voduns. Algumas vezes essa atribuição pode ser estendida a voduns populares como Sakpatá, Dan, Lisa e Hevioso.

Não se deve confundir Tô-Vodun com Tó-Vodun, ou voduns das águas, como Agbê,Sinmenu-Sogbô, Naete, Avlekete, os Tohossu, etc.Embora sendo pertencente aos Tô-Vodun ele é um Vodun integrante aos Ayi-Vodun,os voduns do panteão da terra, por ter ele o controle desta, como também aos Ji-Vodun do panteão do céu por Legbá ter livre acesso ao Orun(céu).Vejamos então que Legbá esta sempre presente em todos os panteões de Voduns, por ser este o eixo da dinâmica e propulsor do ASE, fazendo com que este seja levado e distribuido a quem de direito tiver e fazer a cobrança dos que mal agirem.

Legbá-Vodun é nome fon do Orisá Esu da cultura Yorubá.Entre os fons e os Ewê, Legba possui um aspecto eminentemente fálico, e seus iniciados,os Legbasy,transportam os sacra de Legba (assentamentos), composto de uma complexa quantidade de asés, onde predominan cabaças e pequenas esculturas fálicas, para onde quer que forem e vestem uma saieta de ráfia tingida de roxo. Carregam ainda um falo de madeira esculpido chamado OGO, que nas festas públicas gostam de fazer exibição deste. Legbá pode ser encontrado em todos os templos, pois é ele quem abre o caminho para os demais Voduns poderem atuar. O Legba guardião dos templos, das aldeias e casas particulares,montado na forma de um monticulo de barro de onde sai um enorme falo ereto, é eminentemente uma entidade coletiva o AGBO-LEGBÁ, mas se conhece ainda um Legbá feminino ASSI-LEGBÁ ou LEGBAYONU que é montado e cultuado para proteger as mulheres e as crianças da comunidade, ainda que a mulher de Legbá, segundo os Fons seja AWOVI, cujo nome significa FILHA DO ENGANO e representa os acidentes, que é representada por uma estatueta de barro de aspecto feminino, sem cabeçae com os olhos no lugar dos seios e a boca na altura da vagina,normalmente maior do que a representação de Legba.

MINONA é a representação divinizada dos poderes mágicos atribuido às mulheres, e AYIZAN também são consideradas ora esposa, ora mãe de Legbá.Para os fons ,Legbá foi encarregado neste mundo a contar as pessoas vivas e mortas, e assim noticiar ao todo poderoso sobre a quantidade de seres vivos e aqueles que deixaram a fce da terra visivel.Os fons acreditam que Legbá é um Vodun intransigente e independente das bontades dos próprios desejos do povo Fon. Haja, o grande temor que eese povo possui dos sacerdotes de Legbá.Originário da região do antigo Dahomey, Legba foi muito cultuado, para amendrontar os inimigos do povo Fon no caso os invasores brancos, ou usá-lo para atacar seus inimigos étnicos.Po isso com a chegada dos padres católicos e prostestantes nas épocas da colonização de África...

no que se refere ao culto de Legbá, que também é possuidor de culto a parte de outros Voduns, o mesmo foi caracterizado como um bárbaro sanguinário na visão leiga e completamente distorcida dos sacerdotes cristãos, os quais chamavam este Vodun de diabo. Para o povo Fon Legbá é muito poderoso e astuto sendo que, aquele que estiver em seu caminho é melhor sair de sua frente.Do culto de Legbá-Vodun originou-se o culto a ESU, entre os Yorubás, nas épocas das guerras e criações dos reinados vigentes naquelas regiões. Legbá-Vodun sempre é cultuado primeiro, do que qualquer Vodun, esta regra jamais é esquecida pelo povo Fon, pois é ele que se encarrega de deixar passar qualquer tipo de oferenda seja a que Vodun for.Mesmo nos casos de ebós e outros tipos de interversão espiritual praticada seja por qualquer sacerdote e de qualquer culto espiritual.Está encarregado em vigiar o bom andamento e atitudes do ser humano, seja benéficas ou maléficas. e se incumbirá das devidas cobranças.

Também devemos citar que Legbá-Vodun , é o unico Vodun masculino que tem acesso ao mundo espiritual da KENESSI (senhoras poderosas a grande Mãe Ancestre- YAMI OSORONGA)

Obs.: Imagens de Legba no Benin
No Benin os fetiches de Legbá-Vodun geralmente são representados por um montículo de terra com uma peça fálica, que representa a audácia de Legbá,

como a coragem e a procriação. Os antigos viajantes e pesquisadores muito falaram dessa divindade que a todos impressionava por seu apspecto erótico. PRUNEAU DE POMMEGORGE; foi o primeiro que, tanto quando podemos saber, descreveu um Legbá.Eis como apresenta o Legbá de Ouidah, onde permaneceu de 1743 a 1765; a um quarto de légua dos fortes dos dahomeanos ainda têm um deus Príapo,feito grosseiramente de terra, com seu principal atributo, que é enorme e exgerado em relação à proporção ao restante do corpo. As mulheres sobretudo, vão oferecer-lhe sacrificios, de acordo com sua devoção e com o pedido que lhe farão.Essa má estatua encontra-se debaixo do forro

Vodun Gu

Gu é a denominação fon do orixá Ogum, aqui, como vodun senhor da guerra, da metalurgia, da cirurgia e das escarificações. Aparentemente, o culto de Gu foi introduzido no atual sul do Benin no final do século XVII por ferreiros e cirurgiões iorubás, e se tornou bastante popular, sendo cultuado nos templos e conventos de praticamente todos os demais voduns, além de ter os seus próprios. O emblema principal de Gu é o gubassá, que é uma adaga metálica adornada com desenhos místicos, utilizada em diversos rituais, incluindo o culto de Fa, para abrir caminho para o mundo dos espíritos. O gubassá é também conhecido e utilizado no vodu haitiano. Em segundo plano fica o gudaglô, menor que o gubassá e que Gu utiliza para defender seus filhos dos inimigos. Na iconografia fon, o vodun Gu é representado portando estes dois sabres, o gubassá na mão direita e o gudaglô na mão esquerda.

Togum, veio do orum para fazer a ligação com o aiye através do mistério do ferro. Desta forma, pode criar cidades na selva, a evolução com o desenvolvimento da tecnologia do metal Há um estudo científico que diz que a oxidação do ferro no fundo do oceano, gerou bactérias de onde surgiram os primeiros seres no começo da evolução. Não se pode afirmar que tenha sido o ferro o gerador desse fenômeno, mas algum tipo de mineral simbolizado pelos pontos de ferro.

Togum/Gum/Gu, é um ToVodum masculino guerreiro que usa um pó vermelho extraído de uma árvore que simboliza a procriação primordial para a sobrevivência e essa é uma das razões dele não gostar que, em seus assentamentos, hajam ahuinhas. É dono de todos os metais, principalmente o ferro e o aço além de todos os objetos cortantes: akiriké, farim, magoge, etc. Por ser um guerreiro muito afoito, Togum não tem fronteiras, entra em qualquer lugar em busca do inimigo e da vitória. Nessas investidas, Togum conta sempre com Legbá, seu companheiro e amigo incansável, que o ajuda nos combates mas que se diverte com a fúria de Togum. Ao mesmo tempo que é gentil, Togum é muito impaciente e quer tudo a tempo e a hora. Tem, em sua natureza, um sentido de competição, de vigor, de expansão e de agressividade, sempre pela sobrevivência. É muito severo com seus filhos no cumprimento de suas obrigações. Quando Togum chega, anda por todo o kwe e se encontrar alguma coisa fora do lugar, fica bravo e chama a atenção, exigindo que tudo esteja corretamente em seus lugares. Algumas vezes, ele mesmo faz tudo, colocando as coisas em ordem Togum toma para si a guarda do kwe onde mora, disputando com Legba a segurança. Em uma ahuan(guerra), Togum mostra toda a sua fúria e poder de luta. Dificilmente um kwe de Jeje perde uma ahuan, pois Togum, com todo o seu humpayme, garantem a vitória.

Todos os narrunos são regidos por Togum. Na África, somente os vodunos de Togum podem oficiar o ritual de narruno. No Brasil, apenas algumas casas tradicionais seguem o modelo africano. O número três está intimamente ligado à Togum. É um número fudamental universalmente. Exprime uma ordem intelectual e espiritual, em AvieVodum, no cosmo ou no homem. Sintetiza a triunidade do ser vivo ou resulta da conjunção de um e de dois, produzindo, neste caso, a união do orum e do aiye. A cólera e a irritação de um guerreiro, no seio de uma guerra, manifestam-se através de três rugas que se formam na testa: então, ninguém ousa aproximar-se ou falar. Existem vários Voduns pertencentes a linhagem de Togum. O mais velho deles é o Vodum Guyugu que, como os demais Voduns, participou de várias batalhas, saindo-se sempre vitorioso. As cores das contas de Togum, variam de acordo com o Vodum. Podem ser: azulão, azulão e branco, vermelho, verde e branco, podendo sofrer mudanças se o Vodum feito assim desejar. Suas vestimentas podem ser: branca, azul, dourada ou estampada, que é a sua preferencia. Seus dias de culto são: segunda ou terça-feira, dependendo do Vodum. Sua folha predileta é a abre-caminho, sendo que existem muitas folhas para Togum. Togum é quem abre o portal para o desenvolvimento da nossa verdade.

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