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A Dinastia de Xango

 

Orixá Xangô

ONIDADA foi Pai de Aganju o rei que o sucedeu na dinastia de Oyó, como também o próprio egungun Alapalá teria sido primo de Xango mas não foi rei, nem subiu ao estatus de orixá.
Dadá Ajaká recebeu sua coroa de búzios, que é cantada na roda de bany, adê bayiani, ou adê baiani feita por iyá masé.

além de que substituiu Xango por duas vezes no reinado, alguns dizem é que qualidade de Xango e quem era feita de Dada foi a fundadora do Gantois, cujo terreiro recebeu o título da mãe Iya Mase, Maria Júlia da Conceição Nazaré

Odùduwà uniu-se a Olókun ( Senhor dos Oceanos ) assumindo a forma de O bá-Olókun ( rei dos oceanos ), tendo três filhos, Ògún, Ì sè dál è ( equivalente a deusa Afrodite ) e Okambi ( deus do fogo ). Okambi teve sete filhos, dentre eles Ò r ò nmíy ò n, dando continuidade a missão de sua Avó ( Odùduwà ), na divulgação da Religião dos Òrì s à, tornando-se o mais famoso dentre todos os filhos.

Okambi torna-se detentor de grande quantidade de terras na África Ocidental, instalando-se em definitivo em Il è If è . Ò r ò nmíy ò n afasta-se de Il è If è para conquistar Ò y ó , passando assim o trono desta cidade a chamar-se Ìté-Aláààfìn. Em memória de seu pai, concede-lhe pós-morte, a honra de ser o primeiro Aláààfìn Ò y ó . Ò r ò nmíy ò n reservou para si a segunda posição como Aláààfìn Ò y ó , tornando-se " Ò w ò ni ti Il è If è " ( Senhor do Palácio Real da Cidade de If é ). Ò r ò nmíy ò n foi pai de Àjùw ò n ou Àjàká, e Olùfínr ò n ou Sò ngó. Com o nascimento destes dois filhos inicia-se a dinastia dos Ò y ó , a saber:

 

dinastia

Com o nascimento destes dois filhos inicia-se a dinastia dos Òyó a saber:
OKAMBI - 1º ALÁÀFIN ÒYÓ - 1700 à 1600 a . C aproximadamente;
ÒRÀNMÍYÀN - 2º ALÁÀFIN ÒYÓ - 1600 à 1500 a . C. ;
ÀJÀKÁ - 3º ALÁÀFIN ÒYÓ - 1500 à 1450 a . C. ;
SÒNGÓ - 4º ALÁÀFIN ÒYÓ - 1450 à 1403 a. C. ;
ÀJÀKÁ - 5º ALÁÀFIN ÒYÓ - 1403 à 1370 a. C. ;
AGANJÚ - 6º
YAYUN - 7º
KORI - 8º - construiu as cidades de Ede e Òsogbo;
OLUASO - 9º
ONÌGBOGI - 10º - organizou a cavalaria em Òyó;
AFIRON - 11º
EGUOJU - 12º
OROMPOTO - 13º
AJIBOYEDE - 14º
ABIPA - 15º - reconstruiu Òyó;
OBALOKUN - 16º - introduziu o uso do sal
AJAGBO - 17º
ODARAWU - 18º
KANRAN - 19º
JAYIN - 20º
ESPAÇO DE TEMPO HISTÓRICO ENTRE 50 E 300 ANOS;
AYIBI - 21º

Ajaká

O Aláàfin de Oyó, o Oba Ajaká, meio irmão de Sàngó, era muito pacifico,
apático e não realizava um bom governo.
Sàngó, que cresceu nas terras dos Tapas ( Nupe), local de origem de
Torosí, sua mãe, e mais tarde se instalou na cidade de Kòso, mesmo
rejeitado pelo povo por ser violento e incontrolável, mas sendo tirânico,
se aclamou como Oba Kòso. Mais tarde, com seus seguidores, se estabeleceu
em Oyó, num bairro que recebeu o mesmo nome da cidade que viveu, Kòso e
com isso manteve seu titulo de Oba Kòso. Sàngó percebendo a fraqueza de
seu irmão e sendo astuto e ávido por poder, destrona Ajaká e torna-se o
terceiro Aláàfin de Oyó.

Ajaká, também chamado de Dadá, exilado, sai de Oyó para reinar numa cidade
menor, Igboho ,vizinha de Oyó, e não poderia mais usar a coroa real de
Oyó. E, com vergonha por ter sido deposto, jura que neste seu reinado vai
usar outra coroa (ade), que lhe cubra seus olhos envergonhados e que
somente irá tirá-la quando ele puder usar novamente o ade que lhe foi
roubado. Esta coroa que Dadá Ajaká passa a usar, é rodeada por vários fios
ornados de búzios no lugar das contas preciosas do Ade Real de Oyó, e esta
chama-se Ade Bayánni Dadá Ajaká então casa-se e tem um filho
que chama-se Aganju, que vem a ser sobrinho de Sàngó.

Sàngó reina durante sete anos sobre Oyó e com intenso remorso das inúmeras
atrocidades cometidas e com o povo revoltado, ele abandona o trono de Oyó
e se refugia na terra natal de sua mãe em Tapa. Após um tempo, suicida-se,
enforcando-se numa árvore chamada de àyòn (àyàn) na cidade de Kòso. Com o
fato consumado, Dadá Ajaká volta à Oyó e reassume o trono, retira então o
Ade Bayánni e passa a usar o Ade Aláàfin, tornando-se então o quarto
Aláàfin de Oyó. Após sua morte, assume o trono seu filho Aganju, neto de
Òrànmíyàn e sobrinho de Sàngó, tornando-se o quinto Aláàfin de Oyó.

 

Com Aganju, termina o primeiro período da formação dos povos yoruba e após
seu reinado se dá inicio ao segundo período, o dos reis históricos. Vimos
: "De Ifé até Oyó, de Odùduwà a Aganju, passando por Sàngó."

Complemento:

Oranian:

 

Òrànmíyàn ou Oranian - Foi um rei Yoruba da cidade de Ifé, Nigéria. Era o filho mais novo de Odùduà e foi o mais poderoso de todos, e mais famoso em toda nação Yoruba . Famoso como caçador e pelas grandes e numerosas conquistas. Foi o fundador do reino de Oyó por volta de 1400. Em Ifé existe um monolito que tem o nome Opa Òrànmíyàn em sua homenagem.

Uma de suas mulheres, Torosi , que era filha de Elémpe , rei da nação Tapá ( Nupé ), foi a mãe de Xangô que mais tarde veio ser o rei de Oyo no lugar de seu irmão mais velho Dadá Ajaká , Oranian colocou seu outro filho, Eweka , como rei de Benim , e se tornou o Óòni de Ifé .

 

Pierre Verger , em "Orixás, Editora Corrupio" descreve um Itan que fala do nascimento de Oranian:

" Oranian foi concebido em condições muito singulares, que sem dúvida, espantariam os geneticistas modernos. Uma lenda relata como Ogum , durante uma de suas expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotún, saqueou-a e trouxe um espólio importante. Uma prisioneira de rara beleza chamada Lakanjê agradou-lhe tanto que ele não respeitou sua virtude. Mais tarde, quando Odùduà , pai de Ogum, a viu, ficou perturbado, desejou-a por sua vez e fez dela uma de suas mulheres. Ogum, amedrontado, não ousou revelar a seu pai o que se passara entre ele e a bela prisioneira. Nove meses mais tarde, Oranian nascia. O seu corpo era verticalmente dividido em duas cores. Era preto de um lado, pois Ogum tinha a pele escura, e pardo do outro, como Odùduà , que tinha a pele muito clara... Essa característica de Oranian é representada todos os anos em Ifé , por ocasião da festa de Olojó, quando o corpo dos servidores do Oòni é pintado de preto e branco . Eles acompanham Óòni de seu palácio até Òkè Mògún, a colina onde se ergue um monolito consagrado a Ogum. Essa grande pedra é cercada de màrìwò òpè , franjas de palmeiras desfiadas, e, nesse dia, os sacrifícios de cão e galo são aí pendurados. Óòni chega vestido suntuosamente, tendo na cabeça a coroa de Odùduà . É uma das raras ocasiões, talvez mesmo a única do ano, em que ele a usa publicamente, fora do palácio. Chegando diante da pedra de Ogum , ele cruza por um instante sua espada com Osògún, chefe do culto de Ogum em Ifé , em sinal de aliança, apesar do desprazer experimentado por Odùduà quando descobriu que não era o único pai de Oranian ."

Songo:

Sòngó filho de Ò r ò nmíy ò n foi o quarto rei de Ò y ó , antiga cidade de Eyeo ou Kàtu-n-ga. Era tão forte que precisava sentar sobre o pilão, fazendo com que se creia que até hoje ele está sentado lá. Após a morte de seu Pai compeliu seu irmão Àjàká a pagar-lhe tributos e posteriormente depôs Àjàká do trono. Sò ngó era um Rei muito jovem, a sua juventude fez com que Olówu quisesse tirar partido disso, cobrando-lhe impostos exagerados. Isto fez com que iniciasse uma violenta guerra entre eles. Sò ngó demonstrou sua bravura e domínio da magia. Rolos de fumaça e fogo saíam de sua boca e narinas aterrorizando Olówu que, junto com seu exercito, partiu em retirada. Seguidas vitórias fizeram com que Sò ngó se tornasse tirano. Removeu o trono da cidade de Oko para Ò y ó , dando a ela o nome de Ò y ó -Kórò.

Certa vez decidiu realizar culto à sua mãe morta. Ele não lembrava o nome dela, pois quando ela morreu ele era ainda um bebê. Sua mãe era filha de Elémpé, um Rei Nupe, aliado de Ò r ò nmíy ò n, que entregou-lhe a filha como esposa, nascendo então Sò ngó. Este designou dois escravos, um do povo Tapa e outro do povo Haussa, que fossem à terra Nupe oferecer uma vaca e um cavalo em sacrifício à sua mãe, e recomendou que os escravos prestassem muita atenção ao nome de sua mãe que seria citado durante o sacrifício. Os mensageiros foram recebidos com alegria e festejos por Elempe, avô de Sò ngó. O escravo Haussa esqueceu-se da ordem recebida e durante o sacrifício, o escravo Tapa prestou atenção quando o praticante do ritual disse: "Tòròsí ìyá gbódó, estamos prestando culto oferecido por seu filho Sò ngó". Assim o escravo Tapa gravou o nome Tòròsí. Retornando, o escravo Tapa foi homenageado e recompensado, enquanto que o Haussá foi punido com cento e vinte cortes de navalha espalhados por todo o corpo. As esposas de Sò ngó acharam as cicatrizes belíssima e consideraram que tais marcas deveriam ser feitas nos membros da família real, como sinal de nobreza. Sò ngó aceitando a opinião das esposas determinou que Olówala Bàbájegbe Òs ó n e Òru viessem fazer incisões em seu corpo. Mas não suportou nada além de dois cortes longitudinais feitos um em cada braços, desde os ombros até os punhos, recebendo assim o título de Ak è y ò .

Quando resolveu tomar Ò y ó -kórò enviou o escravo Haussá até o Rei O l ó y ó - kórò para que exibisse tão belas cicatrizes. O Rei e seu ministros quiseram que as cicatrizes fossem feitas neles, e chamaram Òs ó n e Òru para fazê-las. Três dias depois que as cicatrizes tinham sido feitas, enquanto o Rei e seus ministros tinham o corpo dolorido, Sò ngó atacou e venceu.

A verdade Yorùbá fala que havia uma divindade solar, a quem cabiam as forças do raio e do trovão. Seu nome é Jàkùta. Alguns dizem que Jàkùta é pai de Sò ngó, e outros dizem que Sò ngó tomou forçosamente os poderes de Jàkùta. Porém Jàkùta nunca foi um ser humano, como Sò ngó foi. As leis de Elédùmarè que citam o roubo, a falsidade, o envenenamento e as cóleras vindas do céu, pertencem originariamente à Jàkùta que ainda é cultuado regularmente, não como Sò ngó, mas como outro Òrì s à que externa a ira de Deus, pois para os Yorùbá é incoerente, pela natureza de Elédùmarè, que Deus tenha explosões de ira, cabendo assim à Jàkùta tê-las.

Sò ngó é tido como um Òrì s à feroz, mas também generoso, que traz filhos, dinheiro, curas e principalmente justiça, detestando todos os tipos de falsidades e mentiras. Homem forte, conhecedor de diversas formas de magia. Hábil caçador, voluntarioso, cruel e tirânico, viril e atrevido, justiceiro e autoritário. Decide sobre o bem e o mal, e todos aceitam suas decisões, não só pelo poder agressivo, mas sim pela sua retidão e honestidade quase que infalíveis. Castiga todos os tipos de ladrões e malfeitores. Associado sempre a imagem do poder. Seu castigo é o Raio, uma de suas armas, mas não o lança impulsivamente; sempre são pesados os prós e os contra. Por todos esses motivos também é associado na Natureza com a firmeza da rocha, sempre rígido, ao contrário da flexibilidade e força agressiva que o metal pode ter.

 

Babalorixá Sérgio de Ajunsun ( Sérgio Ciganus)

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