Crônica

(Do babalorixa Sérgio T´obaluae (sergio cigano))

A MAMA ÁFRICA

Mesmo na época em que havia mais repressão e preconceito ao Candomblé, a Mama àfrica já era cantada com grande louvor nos sambas enredos daquela época. Isso já era o indício que a maior parte população brasileira já se rendia aos encantos dos orixás.

Um samba daquela época, do final dos anos 60 como vários outros se tornaram imortais, hoje vou deixar uma grande letra, um verdadeiro louvor, samba que anos depois quando nos búzios apareceu o nome de minha casa com o nome dele, me fez chora e me emociona ainda hoje:

Ilu-Ayê (Terra da Vida)
(Cabana e Norival Reis)

Ilu-Ayê, Ilu-Ayê, Odara
Negro cantava na nação nagô
Ilu-Ayê, Ilu-Ayê, Odara
Negro cantava na nação nagô

Depois chorou lamento de senzala
Tão longe estava de sua Ilu-Ayê
Tempo passou, ôô
E no terreirão da casa-grande
Negro diz tudo que pode dizer

É samba, é batuque, é reza
É dança, é ladainha
Negro joga capoeira
E faz louvação à rainha

Hoje
Negro é terra, negro é vida
Na mutação do tempo
Desfilando na avenida
Negro é sensacional
É toda a festa do povo
É o dono do carnaval

Nesse samba o autor tenta descrever o sofrimento dos negros nas senzalas, nos troncos, nos narra seus gritos e de todas as frases que gritavam a principal era ILU AYÊ, a terra saudosa a terra que dá vida, eles clamam por sua mama àfrica vir socorrêlos, como se aquela terra fosse viva, mas em outra interpretação também sagrada, a terra onde os orixás viviam.

Na terceira estrófe já mostra o negro se adaptando àquela situação, mas com grande tristeza.

A quarta e última estrófe nos dá uma visão futurista, que o prórpia autor não sabia “ hoje Negro é terra, Negro é vida, na multação do tempo desfilando na avenida....” é meu irmão, como venho orientando no NEWS em um dos melhores sites já construídos para o Candomblé, www.okitalande.com.br, NEGRO FOI TERRA, NEGRO FOI VIDA, DESFILANDO NA AVENIDA..., até que o desfile da escolas de samba passaram a ser atração internacional trazendo divisas para o Brasil, retirando os Negros da avenidas. O próximo samba já na década de 80, época em que começam a perceber essa mudança:

Na década de 80 já viámos escolas de samba denunciando com letras como “SUPER ESCOLAS DE SAMBA S/A, SUPER ALEGORIAS ESCONDENDO GENTE BAMBA QUE COVARDIA...” e assim seria se a nossa religião gerasse divisas então finalmente seriámos respeitados...

Babalorixá Sérgio Cigano

 
 
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